“Conto infantil que narra encantamentos e fatos maravilhosos com a intervenção de fadas (boas ou más)”.
Fonte: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa
Os contos de fadas sempre me interessaram por como vêm sendo trabalhados, gerações a fio, os arquétipos humanos, tanto femininos, quanto masculinos: princesas frágeis, ingênuas, solitárias e indefesas; príncipes valentes, aventureiros e salvadores nunca me convenceram muito. Aos 10 anos de idade, mais ou menos, conheci uma livro que desconstruía toda essa história:
Procurando firme, de Ruth Rocha, que tenho autografado e guardado até hoje.
A história começa, como tantas outras, com uma princesa que vive em um reino encantado, cujo destino é ser desposada por um príncipe, que virá buscá-la para que sejam felizes para sempre. Linda Flor é adestrada para ser uma exímia dona de casa: tem aulas de bordado, de culinária, de piano, entre outras prendas e habilidades muito valorizadas pelos pais. É muito branquinha, tem cabelos loiros e longuíssimos, veste-se com delicados vestidos cheios de babados e fru-frus. O irmão dela, ao contrário, passa a vida sendo preparado para sair pelo mundo buscando o seu caminho, com aulas de esgrima, natação, idiomas... E um dia, finalmente, chega a hora da partida e ele sai por aí, "procurando não se sabe o quê, mas procurando firme".
Linda Flor, então, resolve radicalizar (e é aí que a história começa a pegar fogo!): corta o cabelo bem curto, troca os vestidos pela calça comprida, começa a ter aulas com os professores do irmão e já não recebe mais os pretendentes entediantes que chegavam para "salvá-la". Os pais entram em choque, a fofoca rola solta entre os súditose a princesinha sacode o pacato reino com seu novo comportamento! E o que acontece a partir daí, só lendo o livro. Pra mim, foi um uma viagem irreversível!
Alguns anos depois, conheci o fantástico e super premiado
Bisa Bia, Bisa Bel, de Ana Maria Machado, que teve 500 mil exemplares vendidos. Também o tenho autografado!
Conta a história da menina Isabel, que um dia encontra uma foto da sua bisavó Beatriz. A partir daí, a Bisa(vó) Bia começa a viver dentro da Bisa(neta) Bel e as duas passam a trocar idéias e experiências, com uma intensa descoberta das diferenças provadas pelo choque de gerações entre elas. Um comovente e lúdico exercício de reflexão da alma feminina.
Recentemente, li sobre um livro lançado na Espanha chamado
La Cenicienta que no queria comer perdices e fiquei encantada com a sua proposta de desconstruir a imagem das grandes "musas" dos contos de fadas e suas perfeições inverossímeis, trazendo a "versão século XXI - volta por cima" dessas personagens tão estigmatizadas:
- Cinderela se revolta, vira vegetariana, sai do baile depois da meia-noite e não quer mais saber do príncipe encantado;
- Branca de Neve sofre de depressão e vive às custas de Prozac, mas consegue superar o problema e resolve se bronzear para ficar morena e
- a Bela Adormecida resolve acordar sozinha e ir cuidar da vida, que ela tem mais o que fazer.
O livro se tornou um dos maiores fenômenos de vendas da Espanha nas últimas semanas e as autoras, a escritora Nunila López Salamero e a desenhista Myriam Cameros Sierra, o dedicam a "todas as mulheres valentes que querem mudar de vida".
O lançamento no Brasil está previsto para 2010, PURA VIDA!
Presenteemos as nossas meninas - filhas, sobrinhas, afilhadas, netas, irmãs, vizinhas - com este sopro de valentia e poder de transformação das suas vidas. E, por que não?, também os nossos futuros varões, para que todos sejam felizes, agora sim, para sempre.